Dias e dias

Escrever neste blog é um ato de sacrifício. Sacrifício pois não sei o que vou escrever quando me sento em frente ao computador. Sacrifício pois não sei o quanto de mim irei expor àqueles que ficam bisbilhotando, sem terem o que fazer da vida. Mas ao mesmo tempo, serve como uma sessão de descarrego, como diriam na umbanda, creio. Descarrego da alma, de suas aflições, temores e medos. Sim, somos todos angustiados por natureza. A angústia é inerente ao ser humano. Vai de sua capacidade controlá-la e não se deixar dominar por ela.
O concerto para violino de Beethoven, por exemplo, que estou ouvindo neste momento, na interpretação segura e sensível de Viktoria Mullova. Essa música revela as angústias de um ser humano excepcional, extremamente dedicado à uma causa, e que combate por ela com todas as suas forças. A angústia humana está ali presente, em cada nota, em cada suspiro do solista. Mas trata-se de uma catarse, na verdade. uma expulsão de todas as más sensações que corroem a alma e o espírito. Ele não se deixa abater, e investe contra ela através do poder mágico das notas que transcreve para o papel.
